48
Finitude

A gente se acostuma, mas não deveria
Bem que Marina tentou avisar,
E mesmo com Titãs cantando o mais alto que puderam,
Meu epitáfio talvez seja cheio de pesar.

Três dias, foi isso que me deram
E só então percebi o quanto vejo, mas não enxergo
O quanto ouço, mas não escuto
O quanto existo, mas não vivo

E esse mundo
Descortinado por uma epifania,
De repente, ficou mais belo.

Quem diria que a finitude tem tanto a ensinar,
O que mais anseio passou de dinheiro para uma simples gota de chuva
Que ao tocar minha pele, gela
E a brisa, posteriormente sentida
Enche meus pulmões daquilo que esqueci de chamar de vida.

Se o que me resta é pouco tempo,
que o súbito reconhecer de mim mesma transforme,
nessa presença agarrada a morte,
um segundo em infinito.

Muito me importa o que fui.
Mas, o  passado é uma mera ilusão
A qual se prende todo aquele que esquece de aceitar o fim

O luto persistente
em mim e em ti,
nada mais é do que a morte conste
do que era, para o que é.

E se hoje só me resta esse instante,
Que ele seja o instante infinito
Ao qual entrego e agradeço
Tudo que sou
e toda a vida.

Outras Poesias

Utilizamos cookies para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais sobre o uso de cookies, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com a nossa política.