38
Devaneio

E se me restasse três dias de vida?
Seriam esses os melhores dias que vivi?
Sim, eu diria, quando de fato morri
Saborearia cada minuto do alento que me resta
Enquanto toda tribulação pandemica se presta
Ansearia em minha alma o desejo de ter mais, ser capaz
Ser aldaz
Transformar três dias em alegrias e euforias
Sem arrependimentos de viver, de uma só vez, o que deixei para tão tarde
Isso, em minha alma, arde
Agora não resta mais tempo
Ele escorre entre meus dedos
Preciso vivenciar o máximo e sem medos
Sorrir e chorar
Beber e desfrutar
Intensamente
Infinitamente
O que não fiz antes, agora faço euforicamente
Loucamente, desesperadamente
Mas num devaneio me perco
Porque agora tanto desespero?
Uma vida em vão
Sem viver
Apenas sobreviver
Anos e décadas sem preocupação
Milhões de oportunidades vistas com negação
Uma vida sobrevivida
Sem ser vivida
Sem perceber, não valorizamos o quanto somos infinitos
Entrando em terror quando percebemos que somos finitos
Não há mais tempo
Tempo que perdi
Tempo que não vi
Neguei a ver
Neguei a perceber
Que vivemos uma vida em vão
Não!
Como eu queria ter sentido que todos os dias
Eram meus últimos três dias
Viveria infinitamente
Deliberadamente
Viverei, viveria ou vivi?
Palavras que descem secamente e amargamente
Devaneio de minha mente
De uma realidade iminente
Daqueles que sobrevivem
Não vivem
Não vêem
Não serão
Não são
…Não…

Outras Poesias

Utilizamos cookies para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais sobre o uso de cookies, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com a nossa política.