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O sofrimento que nos persegue

O Sofrimento que nos persegue
Ouve-se falar que o sofrimento, de certo modo, deixa de ser sofrimento no instante em que encontramos um sentido. Será que deixa? Ou será que aceitamos a condição de viver com o sofrimento?
Talvez, a principal preocupação das pessoas não se diz em ter prazer ou dor (sofrimento), mas sim encontrar um sentido na vida.
Precisamos entender o porquê sofremos, precisamos dar nomes a nossa dor, precisamos encontrar um sentido que gere vida. Quando resignificamos nossa dor, quando resignificamos nosso sofrimento, encontramos um sentido para o momento que estamos na vida. Temos um encontro com nós, aprendemos a amar e aceitar o que há em nós e que, talvez, precisa ser transformado, mas é nosso.
As enfermidades da alma, as dores da alma, causada as vezes por aquilo que fizeram com nós, nos trava tanto, nos aprisiona tanto que não conseguimos mais apreciar a vida, saborear a vida, perdemos o sentido da vida. Não perdemos o caminhar, mas caminhamos travados e machucados, perdemos o desejo de viver, queremos matar nossa dor.
A alma grita. As tristezas, falta de animo, o estresse em excesso, ansiedade em excesso, a falta de perdão, o orgulho, a inveja, o ciúme, o ódio, passam a ser os condutores da nossa vida, agimos a partir deles. Não conseguimos mais saborear a vida, não acreditamos mais que é possível transformar isso, vamos vivendo por viver, aceitamos o sofrimento condicionado. Assim, passamos a ter prejuízos nos nossos relacionamentos, no trabalho, nos nossos projetos, as vezes deixamos projetos anos e anos engavetados por falta de ânimo para colocá-lo em pratica. As enfermidades da alma, pesa os nossos relacionamentos, se tornamos pesados para nós mesmos e para as pessoas a nosso redor.
Deixamos de amar, deixamos de abraçar, deixamos de viver experiências boas na vida, porque estamos condicionados ao sofrimento, tanto, que nem percebemos que temos a possibilidade de viver momentos maravilhosos na vida. Nos afundamos no egocentrismo do nosso sofrimento, e o alimentamos todos os dias. Parece que o mundo está contra nós. Só vemos a nossa dor e ficamos abraçada com ela, onde talvez podemos deixa-la e começar a abraçar uma vida leve e cheia de sabores. Esquecemos de cuidar da dor do outro, só olhamos para a nossa dor, para nosso sofrimento.
O sofrimento que tanto carregamos, seja qual for, é parte da nossa vida, parte da nossa história, mas não pode ser o condutor das nossas vidas.

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